Laudo de acidente que matou três na Via Verde é concluído; motorista é indiciado por homicídio culposo

A Polícia Civil do Acre concluiu o inquérito sobre o acidente que matou três pessoas e deixou uma ferida grave na Via Verde, em Rio Branco, no mês de abril. O motorista da caminhonete, o autônomo Talysson Duarte, foi indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Acre (MP-AC).

Reconstrução do acidente

Nesta terça-feira (30), a polícia apresentou à imprensa, aos familiares das vítimas e à única sobrevivente, Raiane Xavier, o laudo pericial e a simulação do acidente. O documento, com mais de 40 páginas, foi elaborado em parceria entre peritos do Acre e de São Paulo.

Segundo a reconstituição, Talysson descia a ladeira da Via Verde sob chuva quando perdeu o controle da caminhonete. O veículo rodou na pista e invadiu a contramão, atingindo três motocicletas – duas delas com reboques – que vinham em sentido contrário. As vítimas Macio da Silva, Carpegiane Lopes e Fábio Farias, funcionários da empresa Estação VIP, foram arremessadas na rodovia. Uma caminhonete que vinha atrás das motos ainda colidiu com um dos reboques.

O laudo não conseguiu determinar a velocidade do veículo no momento da batida, mas, segundo o delegado Karlesso Néspoli, isso não alterou a conclusão pelo indiciamento:

“Ele perdeu o controle do carro em uma curva, com pista molhada e em declive. Deveria ter redobrado o cuidado. A velocidade seria um dado importante, mas a ausência dessa informação não muda a responsabilidade.”

Críticas à demora

Familiares das vítimas questionaram a demora na conclusão do inquérito e contestaram alguns resultados da perícia. O delegado destacou que o trabalho envolveu recursos tecnológicos, como drones, e apoio externo para detalhar a dinâmica do acidente.

Liberação polêmica

Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF-AC) liberou o motorista do local, alegando risco à integridade dele diante da revolta de colegas de profissão das vítimas. A decisão gerou revolta e críticas nas redes sociais.

A PRF informou que Talysson fez o teste do bafômetro, que deu negativo, e apresentou toda a documentação. A corporação negou favorecimento. Mesmo assim, o delegado Karlesso reconheceu que a liberação não foi correta:

“Ele deveria ter sido conduzido ao plantão policial para ser ouvido. A saída dele não prejudicou a investigação, mas o procedimento ideal não foi seguido.”

Talysson só prestou depoimento quase um mês depois do acidente, junto com a namorada, Kaline Santana Matos, que estava no veículo e confirmou que ele perdeu o controle da caminhonete.

Dor das famílias

Durante a apresentação do inquérito, familiares se emocionaram e criticaram a falta de punição imediata. A esposa de Fábio Farias, que morreu após mais de um mês internado, desabafou:

“Foram três vidas. Minha filha pergunta todos os dias pelo pai. A gente fica desacreditado na Justiça, porque ele vai responder, mas vai continuar vivendo normalmente.”

Próximos passos

O inquérito agora está sob análise do Ministério Público. Segundo o delegado, não há previsão de prisão preventiva:

“A lei é branda em casos de homicídio culposo, sem intenção de matar. A prisão preventiva não se aplica, principalmente quando não há antecedentes. Caberá à Justiça decidir sobre uma eventual condenação.”