Rio Acre recua, fica abaixo da cota de alerta e limpeza começa nos bairros atingidos em Rio Branco

O Rio Acre segue em vazante e marcou 12,91 metros na manhã desta sexta-feira (2) em Rio Branco. Com o nível abaixo da cota de alerta, que é de 13,50 metros, a limpeza dos bairros afetados pela cheia teve início ainda durante a madrugada.

No último sábado (27), o rio ultrapassou a cota de alerta e, em seguida, transbordou, chegando a 14,03 metros. O nível continuou subindo e atingiu 15,41 metros na segunda-feira (29). A vazante começou na terça (30) e, após cinco dias acima da cota de transbordamento, o manancial ficou abaixo dos 14 metros na manhã de quinta-feira (1º).

Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, apesar do início da limpeza, as 53 famílias que permanecem desabrigadas ainda não podem retornar às casas devido à falta de segurança e às condições de sujeira nos bairros atingidos.

“A limpeza está começando tanto nos bairros afetados pela enxurrada quanto nos atingidos pela cheia do Rio Acre. Mesmo sem o retorno imediato das famílias, já estamos agilizando a retirada de lixo e lama”, destacou.

O secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony da Rocha Roque, informou que os trabalhos de limpeza devem alcançar pelo menos seis bairros da capital ao longo do fim de semana: Seis de Agosto, Cadeia Velha, Hélio Melo, Baixada da Sobral, Plácido de Castro e Taquari.

“Temos uma equipe de 150 colaboradores atuando de domingo a domingo para que as famílias retomem a normalidade o quanto antes”, afirmou. A estimativa é de retirada de cerca de 300 toneladas de resíduos e entulhos por dia.

A cheia histórica registrada em dezembro, considerada a maior em pelo menos 50 anos, afetou mais de 20 mil pessoas em Rio Branco. Na última terça-feira (30), o número de famílias desabrigadas chegou a 153, com estragos registrados em diversas regiões da capital.

Em dezembro, a cidade acumulou mais de 100 milímetros de chuva em apenas 24 horas, provocando alagamentos, interdições de residências e a remoção de famílias. Ao longo do mês, o volume total de chuvas chegou a 561,6 milímetros, o maior já registrado, segundo a Defesa Civil.

Atualmente, dados do governo indicam que 443 pessoas seguem desabrigadas em estruturas montadas pelo poder público. Outras 216 famílias estão desalojadas e abrigadas em casas de parentes ou amigos. Na quarta-feira (31), cerca de 103 famílias afetadas pela enxurrada dos igarapés já conseguiram retornar para casa, permitindo o fechamento de alguns abrigos.

Seguem em funcionamento os abrigos instalados nas escolas Maria Lúcia, Anice Jatene, Georgete Eluan Kalume, Marilda Gouveia Viana, Leôncio de Carvalho (abrigo indígena) e Ayrton Senna da Silva.