O autônomo Talysson Duarte, motorista da caminhonete envolvida no atropelamento que matou três pessoas na Via Verde, em Rio Branco, em abril do ano passado, foi condenado pela Justiça a pagar mais de R$ 30 mil em indenização à única sobrevivente do acidente, Raiane Xavier. Duarte foi indiciado por homicídio culposo em setembro de 2025.

A decisão é do 3º Juizado Especial Cível e levou em consideração os prejuízos materiais e os danos morais sofridos por Raiane, que teve a motocicleta destruída e ficou com sequelas físicas e emocionais após o acidente.
Conforme sentença da juíza Evelin Campos Cerqueira Bueno, da qual ainda cabe recurso, o réu deverá pagar:
- R$ 5.309,36 por danos materiais;
- R$ 25 mil por danos morais.
Na decisão, a magistrada destacou que a gravidade do caso não pode ser desconsiderada. “A imprudência e a imperícia do reclamado colocaram em risco a própria vida da autora, que sofreu lesões graves e teve sua integridade física e psicológica diretamente atingida”, diz trecho da sentença.
Raiane afirmou que a indenização não representa um ganho, mas uma tentativa de amenizar os impactos causados pelo atropelamento.
“Nenhum valor paga o que eu vivi e continuo vivendo até hoje. Ainda sigo em tratamento, com consequências físicas e emocionais que permanecem todos os dias. O trauma, a dor, o medo e tudo o que enfrentei desde o acidente não têm preço”, lamentou.
No acidente, morreram Macio Pinheiro da Silva, Carpegiane Lopes e Fábio Farias de Lima. Macio morreu ainda no local. As vítimas trafegavam de motocicleta quando foram atingidas pela caminhonete.
Segundo a investigação, Duarte invadiu a pista contrária no km 132 da Via Verde, nas proximidades da 3ª Ponte de Rio Branco, e atingiu as motocicletas.
Laudo e investigação
Um laudo com mais de 40 páginas, elaborado em parceria entre as polícias do Acre e de São Paulo, foi fundamental para esclarecer a dinâmica do acidente. As equipes utilizaram drones para mapear a área e produziram uma simulação em vídeo apresentada pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica e pelo delegado Karlesso Néspoli.

As imagens mostram a caminhonete descendo uma ladeira sob chuva, enquanto as motocicletas seguiam no sentido contrário. Em determinado momento, o veículo conduzido por Duarte gira na pista e derrapa de forma desgovernada.
A perícia não conseguiu determinar a velocidade exata da caminhonete no momento da colisão. Ainda assim, segundo o delegado, isso não impediu o indiciamento por homicídio culposo.
“Ficou constatado que ele perdeu o controle do veículo em uma curva, com pista molhada e em declive. Nessas condições, deveria ter tido um cuidado maior. A ausência da velocidade exata não inviabilizou o indiciamento”, explicou.
Liberação do motorista gerou críticas
Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Federal no Acre (PRF-AC) liberou Talysson Duarte do local, alegando risco à integridade física dele devido à revolta de colegas de profissão das vítimas. A decisão gerou forte repercussão negativa e críticas nas redes sociais.


A PRF negou favorecimento e informou que o motorista realizou o teste do bafômetro, que deu negativo, além de apresentar toda a documentação exigida. A corporação também refutou a hipótese de que o condutor teria sido protegido por suposta ligação com forças de segurança.
Talysson prestou depoimento quase um mês após o acidente. Na ocasião, a namorada dele, Kaline Santana Matos, que estava na caminhonete no momento da colisão, também foi ouvida e confirmou que o motorista perdeu o controle do veículo.
Nesta semana, o delegado responsável voltou a afirmar que a liberação do condutor no dia do acidente foi inadequada.
“O rapaz deveria ter sido conduzido para prestar depoimento ainda no plantão. Apesar disso, essa falha não prejudicou a investigação. Ele seria ouvido e liberado posteriormente”, concluiu.