Esquema milionário de desvio de remédios da saúde pública é investigado após prisão de idoso em Rio Branco

Após a prisão de um idoso de 74 anos flagrado com grande quantidade de medicamentos desviados da rede pública de saúde do Acre, a Polícia Civil informou que investiga o possível envolvimento de servidores públicos no esquema. Segundo as apurações, o desvio pode ter ocorrido desde o início de 2023, embora a investigação tenha sido iniciada há cerca de dois meses, no fim de 2025.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), há indícios de que medicamentos foram desviados do Pronto-Socorro de Rio Branco, da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A quantidade exata de material apreendido ainda está sendo contabilizada pela polícia.

“Isso vai ter desfecho, nada está descartado. Vamos avançar porque, pela quantidade de medicamentos apreendidos, não foi pouca coisa. Foram dois caminhões médios, com medicamentos de menor valor e também de alto custo”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, José Henrique Maciel.

Durante a operação realizada na manhã desta segunda-feira (5), diversas caixas de medicamentos foram encontradas em uma residência localizada na região da Baixada da Sobral, em Rio Branco. No local, a polícia apreendeu remédios para tratamento contra o câncer, hemodiálise, medicamentos controlados, além de insumos hospitalares como gazes, luvas, fraldas descartáveis e sondas.

As investigações apontam que a residência funcionava como uma farmácia clandestina, e o idoso preso seria o receptador do material desviado. Segundo a Sesacre, além de medicamentos, também houve desvio de insumos hospitalares.

“O valor estimado dos medicamentos pode ultrapassar um milhão de reais. A Polícia Civil vai continuar com as diligências para aprofundar a investigação”, explicou o delegado Igor Brito durante entrevista coletiva.

Início da apuração
A Sesacre informou que a operação foi deflagrada a pedido da própria pasta, após a identificação de indícios de furto de medicamentos e insumos em unidades de saúde do estado. Os detalhes completos da ação devem ser apresentados em coletiva de imprensa ainda nesta segunda-feira.

Durante a entrevista, o secretário estadual de Saúde, Pedro Pascoal, destacou que os desvios impactaram diretamente o atendimento à população.
“O Estado se planejava para adquirir determinada quantidade de medicamentos, mas nunca era suficiente para atender às patologias e à demanda dos pacientes. Isso acendeu o alerta e deu início à investigação”, afirmou.

Extensão do esquema
Além de apurar o envolvimento de servidores públicos, a Polícia Civil também investiga se o esquema alcançou unidades de saúde do interior do estado.

“Vamos fazer o levantamento completo de todos os medicamentos apreendidos. Depois dessa discriminação, levaremos as informações ao secretário e, possivelmente, às prefeituras, já que o local funcionava como um armazém. Há medicamentos cuja origem ainda não foi comprovada”, acrescentou o delegado-geral.

Os investigadores também buscam identificar o fluxo dos medicamentos desviados, se havia comercialização do material e quem seriam os possíveis compradores.
“É uma investigação complexa, com muitas variáveis, e várias pessoas já estão na linha de apuração”, concluiu Maciel.