PM acusado de atropelar e matar mulher em Rio Branco vai a júri popular a partir de segunda-feira

O policial militar Alan Melo Martins será julgado pelo Tribunal do Júri a partir da próxima segunda-feira (12), em Rio Branco. Ele é acusado de atropelar e matar Silvinha Pereira da Silva em maio de 2019 e de tentar matar o marido dela, José da Silva, que também ficou gravemente ferido no acidente.

Silvinha Pereira da Silva, de 38 anos, morreu após ser atropelada — Foto: Arquivo da família

Segundo o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), o julgamento será conduzido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da capital e deve se estender por três dias, com previsão de encerramento na quarta-feira (14). Ao longo das sessões, serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu.

O atropelamento ocorreu na Estrada Dias Martins, uma das vias mais movimentadas de Rio Branco. Silvinha e o marido trafegavam em uma motocicleta quando foram atingidos pelo carro dirigido pelo policial. Ambos foram socorridos, mas Silvinha não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte. José sobreviveu, porém com lesões graves, o que levou o MP a denunciar o réu também por tentativa de homicídio.

O atropelamento ocorreu na Estrada Dias Martins.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Acre (MP-AC), um laudo pericial apontou que o veículo estava a cerca de 130 km/h, em um trecho onde o limite permitido era de 40 km/h. Testemunhas também relataram que o policial teria consumido cerca de 30 garrafas de bebida alcoólica antes de dirigir — versão negada pela defesa.

A defesa sustenta que não houve intenção de matar e pediu a desclassificação dos crimes. No caso de Silvinha, os advogados argumentam que se trata de homicídio culposo, e, em relação ao marido, que o crime seja enquadrado como lesão corporal. Outro ponto levantado é que a morte não teria sido causada diretamente pelo acidente, mas por falhas no atendimento médico. Essa tese, porém, é contestada por médicos ouvidos no processo, que afirmam que a morte decorreu da gravidade dos ferimentos.

Após o acidente, o MP pediu a prisão preventiva de Alan, que ficou detido por dez dias e foi solto em junho de 2019. Em setembro do mesmo ano, houve novo pedido de prisão, mas ele permaneceu em liberdade até janeiro do ano passado, quando a Justiça determinou seu retorno ao sistema prisional, no Bope.

Alan Melo Martins já respondeu a outro júri popular. Ele foi um dos réus no caso que apurou as mortes de Maria Cauane (11 anos), Gleiton Silva Borges e Edmilson Fernandes da Silva Sales, durante uma operação do Bope em 2018. Em dezembro de 2024, ele e os demais acusados foram absolvidos, decisão mantida pela Justiça em outubro do ano passado.