Celulares “condenam” trabalhadores e dupla é executada a tiros na Cidade do Povo; adolescente autista está entre as vítimas

Os jovens Gustavo Gabriel Bezerra Soster, de 17 anos, e Daniel Dourado de Souza, de 22, foram executados a tiros na noite da última quinta-feira (12) em uma área de mata próxima à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), na Rua Geraldo Leite, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco. Segundo a polícia, os criminosos tiveram acesso aos celulares das vítimas e encontraram imagens que teriam motivado o crime.

De acordo com as investigações iniciais, Gustavo e Daniel trabalhavam em uma cerâmica e, juntamente com outros dois funcionários, foram até um canteiro de obras na região para realizar a entrega de tijolos. Ao chegarem ao local, os quatro trabalhadores foram surpreendidos por integrantes de uma facção criminosa armados.

O grupo foi rendido e teve os celulares revistados pelos criminosos, que buscavam possíveis ligações com facções rivais. Segundo o coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Sousa, após analisarem os aparelhos, os suspeitos afirmaram que duas das vítimas teriam ligação com um grupo rival.

“Eles sequestraram inicialmente quatro pessoas e, ao verificarem os telefones, disseram que pelo menos duas delas pertenciam a uma facção rival. Em seguida, levaram essas vítimas para a lateral da estação de tratamento, onde existe um muro bastante extenso, e lá as executaram”, explicou o delegado em entrevista na manhã desta sexta-feira (13).

Os outros dois trabalhadores foram liberados e deixaram o bairro rapidamente, temendo também serem mortos.

Execução em área de mata

Daniel e Gustavo foram levados para uma área de mata nos fundos da estação de tratamento de esgoto do bairro, onde foram executados com vários disparos, inclusive na cabeça. Os corpos foram encontrados ao lado da ETE.

Policiais militares do 2º Batalhão isolaram a área para o trabalho da perícia criminal. Após os procedimentos no local, os corpos foram removidos e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização dos exames cadavéricos.

Familiares relataram que Gustavo possuía Transtorno do Espectro Autista (TEA), fazia uso de medicamentos controlados e ajudava a família financeiramente. O adolescente era órfão de pai e sonhava em melhorar de vida por meio do trabalho.

Já Daniel morava no bairro Betel e havia se mudado recentemente para Rio Branco em busca de emprego. Antes, ele residia no município de Feijó, no interior do estado.

Câmeras destruídas e investigação em andamento

Durante as investigações, a polícia constatou que criminosos destruíram câmeras de segurança próximas ao local do crime, possivelmente para dificultar a identificação dos envolvidos.

Outro fato que chamou atenção dos investigadores foi que as obras no canteiro onde os trabalhadores atuavam estavam suspensas nesta sexta-feira (13), mesmo sendo um dia normal de atividades na construção de casas populares na região.

O duplo homicídio está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo o delegado Alcino Sousa, a polícia já possui alguns suspeitos e segue em diligências para identificar e prender os responsáveis.

“A opressão naquele loteamento é tamanha que até câmeras de segurança foram arrancadas após o crime. Mas temos outros meios de investigação e vamos chegar aos autores. Já temos algumas pessoas na lista de suspeitos”, afirmou.

A polícia pede que qualquer informação que possa ajudar na identificação dos criminosos seja repassada às autoridades de forma anônima.