Senador Márcio Bittar tenta defender golpistas na CCJ e é duramente repreendido por Otto Alencar

A participação do senador acreano Márcio Bittar (PL-AC) na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desta quarta-feira (10) terminou em constrangimento e evidenciou mais uma tentativa frustrada da ala bolsonarista de reescrever os acontecimentos do 8 de janeiro. Ao tentar transformar a audiência em um gesto de absolvição aos condenados pelos ataques às instituições, Bittar acabou sendo firmemente contestado pelo presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), que rebateu cada um dos seus argumentos.

Durante sua fala, Bittar tentou sustentar a narrativa de que haveria “inocentes pagando por um crime que não cometeram” e insinuou abusos por parte do Supremo Tribunal Federal. O discurso, marcado por revisionismo e frases de efeito, buscou colocar os responsáveis pelos atos golpistas na condição de perseguidos políticos — uma retórica já conhecida do bolsonarismo, mas que novamente não encontrou respaldo.

A tentativa de distorção dos fatos foi interrompida por Otto Alencar, que, visivelmente incomodado, desmontou a argumentação do colega. O senador baiano desafiou Bittar a apresentar provas das supostas pressões atribuídas ao STF e afirmou que nenhum parlamentar sério compactua com insinuações sem fundamento. Em tom firme, Otto classificou a fala do acreano como irresponsável e politicamente motivada.

O momento de maior constrangimento ocorreu quando Bittar tentou comparar os ataques de 8 de janeiro à ditadura militar. A resposta de Otto foi imediata: lembrou que quem viveu o regime conhece a real dimensão das violações cometidas — mortes, torturas e cassações — e que nada disso se aproxima do tratamento dado aos envolvidos nos atos antidemocráticos. “Vossa Excelência não viveu aquilo. Leu de forma simplória”, afirmou, criticando a superficialidade histórica presente no discurso de Bittar.

Após a reprimenda, Bittar não conseguiu retomar sua narrativa. O episódio reforçou seu isolamento político na sessão e ampliou mais um desgaste acumulado em Brasília, onde suas tentativas de revisionismo sobre o 8 de janeiro seguem sendo rebatidas com firmeza.