Após dois adiamentos, o governador do Acre, Gladson Camelí (PP), será julgado nesta quarta-feira (17) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A sessão está prevista para ocorrer a partir das 14h, no horário da capital federal.
A defesa do governador nega qualquer irregularidade e afirma que apresentará provas que demonstram a inocência de Camelí ao longo do julgamento.
Inicialmente, o julgamento estava marcado para 19 de novembro, mas foi remarcado para 3 de dezembro após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A nova data também acabou sendo adiada.
A ação penal investiga supostas fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e formação de organização criminosa. Em maio de 2024, a Corte Especial do STJ aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), que inclui ainda acusações de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
No último pedido de adiamento, a defesa de Camelí argumentou, por meio de habeas corpus, que não teria tido acesso a todas as provas utilizadas pela acusação — entendimento que foi acolhido pelo ministro responsável pela decisão.
Quando o julgamento foi inicialmente marcado, o governador declarou confiar na Justiça, mas destacou o desejo de que não houvesse interferência política na análise do processo.
No último dia 5, Camelí teve as medidas cautelares prorrogadas por mais 180 dias. Entre elas estão a proibição de contato com testemunhas e outros investigados, o recolhimento do passaporte, a proibição de deixar o país e o bloqueio de bens e valores. A prorrogação foi solicitada pela ministra Nancy Andrighi, já que as medidas venceriam neste fim de semana. Esta é a terceira prorrogação desde o recebimento da denúncia, em maio de 2024.
Entenda o caso
A investigação teve início em 2019 e é conduzida pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Ptolomeu. As denúncias envolvem a contratação da empresa Murano, com sede em Brasília, para prestar serviços ao governo do Acre. A empresa teria subcontratado outra localizada no estado, que tem como sócio Gledson Cameli, irmão do governador.
De acordo com a acusação, a contratação teria resultado em um esquema de favorecimento financeiro ao governador e a outros envolvidos, causando prejuízos aos cofres públicos. Mesmo após se tornar réu, Gladson Camelí foi mantido no cargo.
Em dezembro do ano passado, o governador prestou depoimento. À época, seus advogados afirmaram que apontariam falhas no processo, mencionando a existência de HDs apreendidos que não teriam sido periciados e um relatório de inteligência financeira considerado inconsistente pela defesa.