Três acusados vão a júri popular por morte de jovem em Cruzeiro do Sul

Três pessoas foram pronunciadas para júri popular pela morte de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos. A decisão é da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cruzeiro do Sul, onde o crime ocorreu. O trio vai responder por homicídio qualificado.

Segundo a Justiça, há indícios de que os réus participaram da motivação do crime e também da condução de João Vitor, por meio de uma conhecida da vítima, até integrantes de uma facção criminosa. A participação deles teria sido comprovada, inclusive, por imagens de uma videochamada feita no local do homicídio. Os três seguem presos em Cruzeiro do Sul.

Com a decisão de pronúncia, foi aberto o prazo para que o Ministério Público do Acre (MP-AC) e as defesas apresentem recursos. A Polícia Civil confirmou nesta terça-feira (27) que 15 pessoas já foram presas no decorrer das investigações e que mais de 17 indivíduos teriam participação no crime. Outros dois processos ainda tramitam contra demais envolvidos, inclusive suspeitos que teriam acompanhado a ação por videochamada.

Contexto do caso

João Vitor desapareceu no dia 8 de março do ano passado, após sair de casa sem informar o destino. O corpo foi encontrado três dias depois, às margens do Rio Juruá.

As investigações apontam que o crime teria sido motivado por um episódio ocorrido cerca de um mês antes, quando João Vitor ajudou a imobilizar um homem durante uma abordagem policial no Centro de Cruzeiro do Sul. A situação foi filmada por populares e teria gerado revolta entre integrantes de uma facção criminosa.

De acordo com a Polícia Civil, após ser liberado, o homem envolvido na abordagem teria procurado membros da facção para cobrar uma punição contra João Vitor. A partir disso, teriam começado as ações que culminaram no homicídio.

Ainda conforme a investigação, João Vitor foi chamado por uma mulher conhecida para conversar com algumas pessoas e acabou sendo levado, em um carro de aplicativo, até o bairro Cohab. Segundo a polícia, ele foi morto por integrantes da organização criminosa.

Expectativa da família

A mãe do jovem, a auxiliar de serviços gerais Maria Verônica Borges da Silva, afirmou que vem se preparando psicologicamente para acompanhar o júri popular. Quase um ano após o crime, ela conta que pensa no filho todos os dias e espera que os responsáveis sejam condenados.

“O julgamento é por causa da morte do meu filho. Eu quero participar para entender tudo o que aconteceu e o que levou a fazerem isso com ele”, disse emocionada.