Trabalhadores terceirizados que atuam na rede pública de educação em Bujari, município a cerca de 30 quilômetros de Rio Branco, denunciaram que estavam há mais de dois meses sem receber salários, com pendências desde novembro do ano passado. O grupo inclui mediadores, motoristas, barqueiros e outros profissionais que prestam serviços nas escolas.
Nesta segunda-feira (2), um representante das duas empresas responsáveis pelos contratos informou que os pagamentos foram efetuados. Os trabalhadores confirmaram na terça-feira (3) que receberam os valores atrasados.
Em nota, a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes do Acre (SEE-AC) declarou que as empresas L.A. Soares e Suply Soluções em Tecnologia e Transporte LTDA apresentaram documentação trabalhista regular, incluindo notas fiscais relacionadas ao pagamento dos funcionários. A coordenadora do Núcleo de Educação do Bujari, Rocilda Gomes, foi procurada, mas informou que não poderia repassar informações sobre o caso.
Relatos de dificuldades
Um dos trabalhadores, que preferiu não se identificar, afirmou que os atrasos são frequentes desde que foi contratado, há pouco mais de um ano.
“Desde novembro não recebíamos salário e, desde outubro, estamos sem vale-refeição. Conferi meus holerites e percebi que a empresa também não vinha depositando o FGTS. A situação é complicada”, relatou.
Segundo ele, a falta de pagamento trouxe sérios impactos financeiros à família, e a saída foi recorrer a trabalhos informais para complementar a renda.
“Estamos nos virando como dá. Fui transferido para buscar alunos à noite e comecei a fazer bicos durante o dia. Às vezes meu filho pede algo e a gente não tem de onde tirar”, desabafou.
Versão das empresas
O representante das empresas, que também preferiu não se identificar, afirmou que o atraso ocorreu por conta do fechamento do exercício financeiro no fim de 2025.
“No final do ano há questões relacionadas a verbas e empenhos, o que pode gerar demora. Recebemos os lotes de novembro e dezembro nesta segunda-feira e já realizamos os pagamentos”, explicou.
Ele negou que os atrasos sejam recorrentes. “Temos todos os relatórios de pagamento regularizados”, declarou.
Problema antigo
Outra trabalhadora terceirizada relatou que também enfrentou dificuldades e precisou fazer trabalhos extras para se sustentar.
“Nosso último pagamento tinha sido em 20 de novembro. Depois disso, só recebemos as duas parcelas do 13º, logo após o Natal. Aqui em casa todo mundo está se virando”, contou.
Ela afirma que, em situações anteriores, a mobilização dos trabalhadores foi o que pressionou pela regularização.
“Quando a gente levava o caso para a rádio, o dinheiro aparecia rápido. Mas para nós diziam que não havia como pagar e que precisávamos ter paciência”, relembrou.
Nota da Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura informa que as empresas LA Soares e Suply Soluções em Tecnologia & Transporte LTDA, responsáveis pela prestação de serviços de locação de transporte fluvial e terrestre, apresentam documentação trabalhista regular, conforme verificação da administração pública, com a apresentação do pagamento de salários na última nota tramitada.
Ressalta que, caso a situação relatada envolva acordos de sublocação de embarcações firmados diretamente entre particulares, não há participação da administração pública. Trata-se de uma relação privada entre a empresa e os prestadores, que não integra o objeto de fiscalização trabalhista realizado pelo Estado.
Quanto aos pagamentos de dezembro, a nota fiscal não foi protocolada em tempo hábil pela empresa para inclusão na programação financeira do exercício. Com a abertura do exercício financeiro de 2026, o pagamento será regularizado, dentro dos trâmites administrativos.
Rio Branco, Acre, 2 de fevereiro de 2026.
Reginaldo Luís Pereira Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura em exercício