A Polícia apreendeu uma pistola de uso restrito, uma arma artesanal, munições e maconha no apartamento do empresário Abrahão Felício Neto, preso nesta quarta-feira (11) durante a Operação Regresso, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC).

Abrahão é neto dos fundadores do Grupo Miragina, uma das empresas mais tradicionais do Acre no setor alimentício, criada em 1967 por Abrahão Felício e Miriam Assis Felício. A indústria atua principalmente com derivados da castanha-do-brasil e possui mais de 20 produtos no mercado.
A reportagem tenta contato com a defesa do empresário.
A Polícia Federal confirmou que a empresa não foi alvo da operação, embora diligências tenham sido cumpridas na sede da Miragina nesta quarta.
Mandados e apreensões
A 1ª Vara Criminal de Rio Branco expediu, no último dia 5, mandados de prisão preventiva contra Abrahão Neto e outros quatro investigados, pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Ele deve passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (12).
Durante o cumprimento dos mandados no apartamento do empresário, em Rio Branco, os policiais encontraram dentro de um guarda-roupa uma pistola Imbel calibre .40, carregada e municiada.
Segundo o processo, Abrahão declarou que a arma era de sua propriedade, mas que não possuía registro nem documentação. Ele afirmou que passou a portar o armamento após o condomínio onde mora ter sido alvo de invasão anteriormente.
Também foi localizado um revólver garrucha Rossi, guardado em um armário e igualmente sem documentação. Conforme o documento judicial, o empresário disse que recebeu a arma quando tinha cerca de 12 anos e que a mantinha por valor sentimental.
Além das armas, os agentes apreenderam:
- Uma porção de maconha;
- Celulares de Abrahão e da esposa;
- Dois veículos utilizados pelo casal, registrados em nome da mãe do investigado.
Segundo as investigações, um dos carros era utilizado para a comercialização de drogas.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
Em nota, a Polícia Federal afirmou que o investigado teria se utilizado indevidamente da estrutura da empresa para a prática dos crimes.
Já o advogado da Miragina, Gilliard Nobre Rocha, declarou que o empresário preso não possui participação societária, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A.
Bloqueio de bens e atuação interestadual
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 5 milhões. As ordens judiciais foram cumpridas em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Aracaju (SE). Durante a operação, foram apreendidos cinco veículos e R$ 8 mil em dinheiro.
As investigações, conduzidas pelas polícias Federal, Civil, Militar e Penal, apontam que o grupo atuava de forma estruturada no envio de drogas para outros estados.
Ao longo da apuração, foram identificados ao menos cinco episódios ligados ao tráfico, que resultaram na apreensão de aproximadamente 350 quilos de cocaína no Acre, Pará e Goiás.
De acordo com o delegado Rodrigo Muniz, um dos líderes do grupo — oriundo de uma conhecida família acreana — exercia papel central na coordenação das atividades ilícitas, articulando negociações e logística para o transporte das drogas.
A investigação também apura supostos mecanismos de ocultação de patrimônio, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Caso anterior envolvendo caminhão com produtos da marca
Em dezembro de 2022, a empresa também foi citada em outra ocorrência, quando um caminhão que transportava biscoitos da marca Miragina foi apreendido com 468 quilos de cocaína, na BR-070, em Poconé (MT).

Na ocasião, a empresa informou por meio de nota que não possuía responsabilidade sobre a guarda e o transporte dos produtos após a retirada pelos clientes na fábrica.
A apreensão foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O motorista afirmou que levaria o caminhão a pedido de uma pessoa que não conhecia pessoalmente, com destino ao Rio Grande do Norte. Segundo os policiais, ele apresentou dificuldades nas manobras do veículo e não soube detalhar informações sobre a viagem.
Nota na íntegra da empresa sobre a operação
A Miragina S/A Indústria e Comércio vem a público esclarecer informações veiculadas acerca da “Operação Regresso”, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (11).
Diante das notícias que circulam, a Miragina S/A destaca que não é alvo, direta ou indiretamente, da referida operação policial. Não é parte investigada, não é mencionada no inquérito, e não é alvo de qualquer ordem judicial.
Apesar de ter comparecido à sede da empresa na manhã de hoje, a Polícia Federal não realizou qualquer de diligência em desfavor da empresa, que mantém suas atividades regulares e preza pela transparência e conformidade legal em todas as suas operações.
Dentre as diversas pessoas investigadas, do que se pode conhecer, a operação menciona uma pessoa ligada a uma das acionistas. Esta pessoa, contudo, não possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A.
Até o presente momento, os autos processuais encontram-se sob sigilo de Justiça. Por esta razão, a empresa e sua defesa técnica estão impossibilitadas de prestar maiores detalhes sobre o conteúdo da investigação.
Por fim, a Miragina S/A reafirma seu compromisso histórico com o desenvolvimento do Acre e com a ética que pauta sua atuação há décadas, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
Miragina S/A Indústria e Comércio
R/P Gilliard Nobre Rocha
OAB/AC 2.833 | OAB/RO 4.864