O Ministério Público do Acre (MP-AC) denunciou cinco jogadores do Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) pelos crimes de estupro coletivo e estupro de vulnerável contra duas mulheres, em um caso que teria ocorrido dentro do alojamento do clube, em Rio Branco.
Foram denunciados Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Brian Peixoto Henrique Ilziario, Alex Pires Bastos Júnior, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes. A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco nesta sexta-feira (13).
Entre os denunciados, dois nomes surgem pela primeira vez no processo: Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes, que até então eram tratados apenas como testemunhas durante as investigações.
Caso ocorreu em fevereiro
Segundo as investigações, o crime teria ocorrido no dia 14 de fevereiro, quando duas mulheres foram até o alojamento do clube após convite de dois dos atletas. De acordo com o Ministério Público, ao chegarem ao local, as vítimas teriam sido submetidas a atos de violência, constrangimento e intimidação por parte dos denunciados e de um sexto homem ainda não identificado.
A denúncia aponta que os episódios aconteceram em momentos distintos dentro da mesma residência, mas em um mesmo contexto, caracterizando uma dinâmica de exploração sexual coletiva.
Trechos da decisão judicial destacam que as vítimas teriam sido submetidas a práticas sexuais impostas mediante violência física e constrangimento, em um ambiente onde vários indivíduos disputavam e impunham atos contra elas.
Prisões e nova decisão da Justiça
Inicialmente, apenas Brian e Erick haviam sido indiciados pela Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam). Erick foi preso em flagrante no dia 14 de fevereiro, enquanto os demais tiveram prisão temporária decretada dias depois.
Com o aprofundamento das investigações, o Ministério Público solicitou que Alex Pires Bastos Júnior, que havia sido solto recentemente, além de Lucas e Bernardo, retornassem à prisão.
O juiz substituto Ricardo Wagner de Medeiros Freire determinou a prisão dos três e manteve detidos Erick e Brian.
Na decisão, o magistrado destacou que a gravidade dos fatos e a dinâmica coletiva do crime representam risco à ordem pública e à instrução criminal.
Investigação e relatos das vítimas
O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) menos de 24 horas após o crime. As vítimas foram inicialmente atendidas na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco.
Segundo a polícia, as mulheres relataram que foram ao local inicialmente para um encontro consensual com os jogadores, mas afirmaram que posteriormente foram submetidas a abusos.
Polêmica na Copa do Brasil
Dias após as prisões, o Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) entrou em campo pela Copa do Brasil, na Arena da Floresta, vestindo camisas com os nomes de três dos jogadores presos.
A atitude gerou forte repercussão nacional e foi criticada pelos Ministério das Mulheres e Ministério do Esporte, que classificaram a homenagem como “inaceitável”.
O Ministério Público também abriu investigação para analisar a conduta do clube e possíveis responsabilidades no caso.
Em nota divulgada anteriormente, o Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que tomará medidas internas conforme o andamento das investigações.