Sobrevivência na selva: caçadores perdidos por dias no Acre são resgatados de helicóptero

Os caçadores Edson Nascimento de Araújo, de 51 anos, e Francisco Marcos da Silva Lima, de 31, viveram dias de tensão após se perderem em uma área de mata próxima ao Rio Cruzeiro do Vale, na zona rural de Porto Walter, interior do Acre. Eles foram resgatados de helicóptero na sexta-feira (20).

A dupla fazia parte de um grupo de cinco pessoas que saiu para caçar na segunda-feira (16). No dia seguinte, o grupo se dividiu e os dois acabaram se separando dos demais. Para tentar se proteger, montaram um abrigo com palhas e combinaram um reencontro para a manhã de quinta-feira (19), o que não aconteceu.

O Corpo de Bombeiros iniciou as buscas na manhã de sexta-feira (20), mas foi informado de que os caçadores já haviam sido encontrados em outra localidade. Segundo o comandante do 4º Batalhão em Cruzeiro do Sul, major Josadac Cavalcante, os homens conseguiram chegar até a Comunidade Veneza após seguirem pelo Igarapé Natal — um percurso de cerca de 32 quilômetros.

Apesar de não apresentarem ferimentos, os dois estavam bastante cansados, desorientados e precisaram de atendimento médico. Sem condições de retornar a pé, foram resgatados de helicóptero.

De acordo com o comandante, os caçadores enfrentaram fortes chuvas e tiveram dificuldade de orientação devido à falta de sol, que costumam usar como referência. Durante os dias perdidos, entre terça (17) e quinta (19), eles caminhavam durante o dia e dormiam à noite, sem perceber que circulavam pela mesma área repetidamente.

Mesmo estando com espingarda e fogo, não conseguiram caçar e sobreviveram apenas com frutos encontrados na mata.

O major reforçou a importância de medidas de segurança antes de entrar na floresta, como baixar mapas no celular para uso offline, já que o GPS funciona mesmo sem internet. Ele também orientou que, em caso de desorientação, o ideal é permanecer próximo ao local onde se perdeu e, ao encontrar um igarapé, seguir sempre no sentido da correnteza, pois isso pode levar a áreas habitadas.

O caso serve de alerta para os riscos de expedições em regiões de mata fechada sem preparo adequado.