A capital acreana, Rio Branco, lidera negativamente o ranking nacional de saneamento básico ao registrar o menor investimento por habitante do país. Dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil na última quarta-feira (18) mostram que o município aplicou apenas R$ 8,99 por morador — valor cerca de 25 vezes inferior ao mínimo considerado necessário.
No Ranking do Saneamento 2026, a cidade ocupa a 98ª colocação entre as 100 maiores do Brasil, ficando à frente apenas de Porto Velho e Santarém. O levantamento é baseado em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA).
Considerando exclusivamente o investimento por habitante, Rio Branco aparece na última posição (100º lugar), muito abaixo dos R$ 231,09 recomendados pelo Plano Nacional de Saneamento (Plansab) para garantir a universalização do acesso à água e ao tratamento de esgoto.
Historicamente, a capital acreana não figurava nos rankings até 2017, quando o estudo considerava apenas as 10 melhores e piores cidades. A partir de 2018, com a ampliação para 20 municípios em cada extremo, passou a aparecer de forma recorrente entre os piores índices do país.
Em maio de 2021, o prefeito Tião Bocalom e o governador Gladson Cameli assinaram o termo que devolveu ao município a responsabilidade pelo saneamento básico, antes gerido pelo Estado por meio do Depasa. À época, a gestão municipal afirmou que a medida visava garantir o abastecimento, especialmente para a população mais vulnerável.
O estudo também ressalta que o novo Marco Legal do Saneamento estabelece metas ambiciosas: abastecimento de água para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90% até 2033. No entanto, mesmo entre as cidades mais bem colocadas, apenas metade já atende a esses objetivos, evidenciando o desafio nacional.
Baixo acesso e perdas elevadas
Além do baixo investimento, Rio Branco apresenta indicadores críticos de acesso aos serviços. Apenas 46,74% da população tem acesso à água potável, colocando a capital na 97ª posição nesse quesito. O serviço é atualmente operado pelo Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb).
Em nota, o órgão informou que enfrenta dificuldades estruturais, como obras inacabadas ou não repassadas oficialmente à autarquia, além de ligações clandestinas, o que compromete o funcionamento do sistema e gera riscos sanitários e ambientais.
Outro problema grave é a perda de água na distribuição. A cidade aparece entre as dez piores do país, com 53,35% do volume perdido antes de chegar ao consumidor.
Na coleta de esgoto, o cenário também é preocupante: apenas 25,07% da população é atendida, colocando Rio Branco na 92ª posição entre os municípios mais populosos.
O levantamento ainda aponta que mais da metade das 100 maiores cidades brasileiras investe menos de R$ 100 por habitante ao ano em saneamento — valor considerado insuficiente para cumprir as metas de universalização previstas para a próxima década.
Leia a nota do Saerb na íntegra
O Saerb atua dentro de sua competência legal na operação e manutenção dos sistemas de esgotamento sanitário. No entanto, é importante esclarecer que diversas obras executadas em Rio Branco por outros órgãos não foram devidamente concluídas ou formalmente repassadas à autarquia, o que compromete diretamente o pleno funcionamento dessas estruturas.
Na região do bairro Tancredo Neves, por exemplo, conforme registros técnicos, a área foi contemplada pelo programa Rua do Povo, porém de forma incompleta, resultando em falhas na funcionalidade da infraestrutura implantada.
Verifica-se, ainda, a existência de sistema condominial operando de maneira parcial, associado à ocorrência de ligações clandestinas. Essa situação impacta negativamente o desempenho do sistema, além de representar riscos sanitários e ambientais à população.
O Saerb segue atuando de forma contínua nessas áreas, prestando suporte aos bairros afetados com o objetivo de amenizar os impactos e promover melhorias gradativas.