Gladson Camelí renuncia ao governo do Acre para disputar o Senado e Mailza Assis faz história ao assumir o Estado


O governador do Acre, Gladson Camelí (PP), renunciou ao cargo nesta quinta-feira (2) para disputar uma vaga no Senado nas Eleições 2026. Antes de deixar o posto, ele fez um balanço de sua gestão, destacando obras estruturantes, projetos executados ao longo do segundo mandato e também respondendo a acusações de corrupção.

Com a saída, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assumiu oficialmente o comando do Estado. Segundo o Executivo, a transição ocorre de forma organizada para garantir a continuidade administrativa e a manutenção de programas e políticas públicas em andamento.

A renúncia segue a regra da desincompatibilização eleitoral, exigida para ocupantes de cargos públicos que desejam concorrer a mandatos eletivos.

Durante cerimônia solene em frente ao Palácio Rio Branco, no Centro da capital, Camelí se despediu do cargo acompanhado do filho, Guilherme, de 12 anos, e agradeceu à população acreana.

“Sei que ainda há muito a fazer e corrigir, mas sou muito grato a todos os servidores, desde secretários até quem serve o café ou trabalha em empresas terceirizadas”, declarou.

A gestão de Camelí foi marcada por investimentos em grandes obras, mas também por polêmicas, como a Operação Ptolomeu e crises no sistema penitenciário estadual.

Já empossada, Mailza Assis destacou o desafio de governar e pediu união da população. “Ninguém faz nada sozinho. Essa oportunidade de representar meu estado como mulher, mãe e pessoa de origem simples é algo que carrego com muita responsabilidade”, afirmou.

Marco histórico

Com a posse, Mailza se torna a segunda mulher a governar o Acre desde que o estado foi criado, em 1962. A única antecessora foi Iolanda Fleming, que assumiu o cargo em 1986 — sendo também a primeira mulher a governar um estado no Brasil.

Natural de Mundo Novo (MS), Mailza tem 49 anos e vive no Acre desde os 20. Iniciou a carreira política em Senador Guiomard, onde atuou como secretária municipal de Administração e de Assistência Social.

Ganhou projeção estadual em 2014, ao ser eleita primeira suplente de senadora na chapa de Camelí. Com a eleição dele ao governo em 2018, assumiu o Senado em 2019, permanecendo por quatro anos. No período, presidiu o diretório estadual do Progressistas e liderou a bancada do partido.

Mailza foi a quarta mulher a representar o Acre no Senado, após Íris Célia Cabanellas, Laélia Alcântara e Marina Silva.

Em 2022, foi escolhida como vice na chapa de reeleição de Camelí. A dupla venceu o pleito com 56,75% dos votos válidos, derrotando Jorge Viana.

Desde junho de 2024, Mailza estava à frente da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), coordenando ações voltadas ao combate à pobreza, segurança alimentar e promoção de direitos.

Agora, como governadora, ela comandará o Estado até o fim do mandato, mantendo o plano de gestão iniciado ao lado de Camelí e já se posicionando como pré-candidata à reeleição em 2026.