Uma ocorrência registrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Franco Silva, na região da Sobral, em Rio Branco, revelou versões conflitantes sobre um episódio de agressão envolvendo um paciente com histórico de crises convulsivas e um médico plantonista. O caso aconteceu na noite de domingo (5) e foi formalizado em boletim de ocorrência pela Polícia Militar.
De um lado, a família do paciente afirma que ele foi vítima de violência durante o atendimento. Do outro, o registro policial aponta o profissional de saúde como vítima das agressões.
Segundo o pai do paciente, Jomar Alves Machado, o filho, Francimar Gomes Machado, de 31 anos, sofre com crises epilépticas desde um traumatismo craniano provocado por um acidente de motocicleta, em julho de 2025. Nos últimos dias, conforme o relato, as convulsões se intensificaram, levando a família a procurar atendimento diversas vezes na unidade.
Jomar conta que, após uma das crises, o filho ficou desorientado — situação recorrente, segundo ele — e não reconhecia as pessoas ao redor. Foi nesse momento que ocorreu o contato com o médico plantonista. “Quando ele sai da convulsão, não conhece ninguém. O médico foi tentar conter, mas ele não sabia quem era. Acabou empurrando, e o médico revidou com um soco”, afirmou.
Ainda de acordo com o pai, Francimar sofreu ferimentos no rosto, incluindo lesões no nariz e na boca, com suspeita de fratura dentária. Ele também criticou a condução da ocorrência policial, alegando que o filho foi tratado como autor, e não como vítima. Um vídeo gravado por Jomar mostra o paciente sangrando em uma maca após a confusão.
Já o boletim de ocorrência apresenta uma versão diferente. No documento, o médico plantonista, identificado como Cassius Cley de Souza Pereira, aparece como vítima de lesão corporal dolosa.
Conforme o relato à Polícia Militar, o paciente apresentava comportamento “extremamente agressivo” durante o atendimento na sala de observação da UPA. Segundo o registro, Francimar teria se levantado repentinamente e passado a agredir o médico com socos na região da cabeça.
Diante da situação, o profissional afirmou que agiu em legítima defesa, conseguindo conter e imobilizar o paciente sobre a maca com o apoio da equipe de segurança da unidade. A Polícia Militar foi acionada logo em seguida.
O boletim também aponta que, durante a contenção, o paciente sofreu uma lesão na região nasal, com sangramento, sendo atendido pela própria equipe médica. Ainda segundo o documento, o pai informou aos policiais que o filho possui transtornos mentais e está em processo de aposentadoria em razão da condição de saúde.
A ocorrência foi encaminhada à Delegacia Central de Flagrantes e classificada inicialmente como lesão corporal dolosa. Francimar foi registrado como “suposto autor/infrator”.
Com versões divergentes, o caso deverá ser investigado pelas autoridades competentes para esclarecer o que de fato ocorreu, incluindo a conduta do paciente, do médico e os procedimentos adotados durante o atendimento.