A Polícia Federal iniciou nesta sexta-feira, 2, a Operação Higeia, visando investigar uma organização criminosa envolvida em fraudes em procedimentos licitatórios na área de saúde, especificamente em serviços de traumatologia e ortopedia.
A ação ocorreu em Boa Vista, capital de Roraima, mas também abrange cumprimento de mandados em Cuiabá e Goiânia. Ao todo, foram emitidas 10 ordens judiciais, com o bloqueio de mais de R$ 30 milhões em bens dos investigados.
A investigação apontou que a contratação de uma empresa pela Secretaria de Saúde de Roraima, mediante adesão a uma ata de registro de preço licitada pelo governo do Acre, ocorreu sem um estudo que justificasse a necessidade desses serviços. Isso ocorreu mesmo diante de relatórios e auditorias prévias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).
Há suspeitas de direcionamento da licitação e superfaturamento na contratação. A contratação foi efetuada sem um estudo técnico preliminar que comprovasse a necessidade interna dos serviços, ignorando auditorias anteriores do TCU e CGU que apontavam indícios de direcionamento e superfaturamento.
No estado do Acre, a Controladoria Geral da União elaborou um relatório que aponta prejuízos aos cofres públicos devido à execução dos serviços de ortopedia e traumatologia. As empresas MedTrauma Ltda. e Inao Ltda. são acusadas de superfaturar cerca de R$ 9,1 milhões no período de 2021 e 2022.