Paralisação de 31 linhas de ônibus em Rio Branco gera crise no transporte e preocupa passageiros

A paralisação de 31 linhas do transporte coletivo de Rio Branco neste sábado (14) gerou forte repercussão e expôs a crise no sistema de ônibus da capital acreana. O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (SINTTPAC) afirmou que a decisão foi tomada de forma unilateral pela empresa Ricco Transportes, sem qualquer comunicação prévia à entidade.

Em nota pública assinada pelo presidente do sindicato, Antônio Neto, o SINTTPAC informou que foi surpreendido com a suspensão das linhas, situação que também afetou diretamente trabalhadores e milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte público.

“A paralisação de 31 linhas do transporte urbano foi determinada pela empresa Ricco”, afirmou o sindicato no comunicado, destacando que não houve aviso antecipado sobre a medida.

Diante da situação, a entidade informou que iniciou uma apuração junto à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), responsável pela gestão e fiscalização do sistema na capital, para entender os motivos que levaram à interrupção das rotas.

Segundo Antônio Neto, o sindicato também avalia quais medidas poderão ser adotadas para garantir os direitos dos trabalhadores e reduzir os impactos causados à população.

Mais cedo, o próprio presidente do SINTTPAC esteve na garagem da empresa Ricco Transportes, onde confirmou a paralisação. De acordo com ele, os motoristas das linhas suspensas foram chamados para uma reunião e aguardavam orientações da direção da empresa sobre quais funções deveriam desempenhar, mas até o momento não havia definição.

A crise se agravou após a Ricco comunicar, na noite de sexta-feira (13), que suspenderia 31 das 50 linhas de ônibus que operam em Rio Branco. Em publicação nas redes sociais, a concessionária afirmou que a decisão foi motivada por um desequilíbrio econômico-financeiro provocado por diversos fatores que estariam impactando a operação do sistema.

Entre os problemas apontados pela empresa estão prejuízos acumulados superiores a R$ 8,6 milhões em 2025, desgaste da frota causado pela falta de manutenção das vias da cidade, defasagem tarifária e dificuldades no sistema de bilhetagem.

Em documento encaminhado à Prefeitura de Rio Branco, a empresa afirmou que a suspensão das linhas críticas seria uma forma de evitar danos maiores à frota. “A concessionária não pode ser compelida a autodestruir seu parque rodante para suprir a ineficiência estatal na manutenção urbana”, diz trecho do documento.

Com a paralisação, passageiros enfrentaram longas esperas em pontos de ônibus em diversos bairros da capital. Em alguns locais, usuários relataram esperar mais de uma hora por transporte.

O secretário especial de comunicação da Prefeitura de Rio Branco, Ailton Oliveira, afirmou que o município está em diálogo com a empresa e ressaltou que todas as obrigações financeiras com a Ricco estão em dia.

Em meio à repercussão, a Ricco Transportes afirmou em suas redes sociais que deverá se pronunciar oficialmente nos próximos dias para apresentar sua versão sobre a crise no transporte público da capital. No comunicado, a empresa também afirmou que tem sido alvo de “fake news e informações distorcidas” que, segundo ela, prejudicam sua imagem diante da população.

A suspensão das linhas ocorre ainda um dia após motoristas realizarem uma paralisação de advertência na manhã de sexta-feira (13), no Terminal Urbano de Rio Branco. Na ocasião, trabalhadores interromperam temporariamente as atividades para cobrar salários e benefícios atrasados. O serviço foi retomado por volta das 9h.

A Ricco Transportes opera o sistema de transporte coletivo da capital desde 2022 por meio de contratos emergenciais, renovados a cada seis meses, após a saída da empresa Auto Aviação Floresta das rotas da cidade.

Atualmente, a Prefeitura de Rio Branco concede um subsídio de R$ 3,63 por passageiro transportado, medida que permite manter a tarifa em R$ 3,50 para os usuários e evitar reajustes no valor pago pela população.

Linhas paralisadas:

101 – Santa Inês
102A – Taquari / Praia do Amapá
105 – Amapá
106 – 6 de Agosto / Judia
107 – Recanto dos Buritis
108 – Polo Belo Jardim
109 – Polo Benfica
113 – Jacarandá
114 – Ramal Bom Jesus
115 – Ramal Castanheira
117 – Belo Jardim I
118 – Belo Jardim II
119 – Ramal do Canil
134 – Baixa Verde
205 – Irineu Serra
303 – Bahia / Carandá
304 – Aeroporto Velho / Cabreúva
381 – Transacreana km 58 / 44 / 25
382 – Polo Wilson Pinheiro / Transacreana km 18
384 – IFAC / Transacreana
402 – Floresta / Shopping
701 – São Francisco / Placas
702A – Apolônio Sales / Mangueira
702B – Apolônio Sales / Apadeq
703 – Wanderley Dantas / Café Contri
705 – Quixadá
706 – Panorama
708 – Apolônio Sales / Altamira
801 – Morada do Sol / Tropical / Cohab do Bosque
803 – Manoel Julião
805 – Aviário / Cadeia Velha

Veja a nota na íntegra do Sinttpac

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (SINTTPAC), representado pelo presidente Antônio Neto, vem a público esclarecer que a paralisação de 31 linhas do transporte urbano foi determinada pela empresa Ricco.

Diante dessa paralisação, realizada sem aviso prévio e sem qualquer comunicação ao sindicato, situação que pegou trabalhadores e passageiros de surpresa, informamos que o SINTTPAC já está averiguando o ocorrido junto ao órgão fiscalizador RBTRANS.

Ressaltamos que todas as providências cabíveis estão sendo analisadas e serão tomadas para garantir os direitos dos trabalhadores e minimizar os impactos à população.