Execução de indígena no Amazonas pode ter sido ordenada por facção com base no Acre

A morte de um indígena identificado como Adegilson, encontrado sem vida no último dia 27 de janeiro em uma área de mata no município de Envira, interior do Amazonas, pode ter ligação direta com uma facção criminosa que atua no Acre. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (2) pelo escrivão da Polícia Civil de Envira, Jackson, por meio de um vídeo nas redes sociais.

Segundo o policial, as investigações apontam que a ordem para a execução pode ter partido do município de Tarauacá (AC). Ainda na noite do dia 26, a Polícia Civil recebeu um alerta de que um homicídio estava prestes a acontecer em uma região de mata conhecida por ser utilizada por integrantes de organização criminosa.

Equipes policiais foram até o local indicado, mas inicialmente não encontraram suspeitos nem a vítima. As buscas continuaram na manhã seguinte e, no dia 27, a polícia foi informada sobre a presença de um corpo em uma área próxima ao bairro Santa Rita, região apontada pelas autoridades como dominada por faccionados. A ocorrência foi confirmada com apoio da Polícia Militar.

De acordo com o escrivão, a polícia já conseguiu refazer os últimos passos da vítima e de possíveis envolvidos, chegando a alguns nomes. Os investigados teriam antecedentes por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo com uso de arma de fogo.

A motivação do crime ainda está sendo apurada, e os investigadores trabalham com múltiplas hipóteses. Uma delas indica que a vítima teria se envolvido em um caso de agressão contra a companheira em uma área sob domínio da facção, em municípios acreanos como Tarauacá ou Feijó.

Outra linha de investigação aponta que o indígena poderia estar se aproximando de uma facção rival, que tenta retomar espaço na região de Envira. Outras possibilidades também não estão descartadas.

As forças de segurança seguem atuando de forma integrada para esclarecer o caso e identificar todos os responsáveis. A distância entre Envira (AM) e Feijó (AC) varia entre 150 e 200 quilômetros por terra, podendo ser percorrida em cerca de 20 minutos de avião ou entre 12 e 15 horas de barco pelo Rio Envira.

O vídeo com o depoimento do escrivão, divulgado nas redes sociais, deve contribuir para o avanço das investigações.